Atualidade do cancro do pulmão

Morte precoce por cancro do pulmão sobe 15 %

Previsão para 2016: Anos de vida perdidos antes dos 70 vão subir nestes tumores, caso não haja políticas de prevenção e campanhas contra o tabagismo, já que não há rastreios

Em 2016, o número de anos de vida perdidos precocemente por cancro do pulmão, traqueia e brônquios pode subir 15%, caso não haja estratégias concertadas de combate ao tabagismo. Estas são as previsões avançadas por peritos que estão a trabalhar no novo plano nacional de saúde, que define pela primeira vez metas para doenças que causam mortes prematuras, ou seja, antes dos 70 anos, e que podem ser evitadas.
Se em 2009 a taxa de anos de vida perdidos precocemente (AVPP) por cem mil habitantes era de 144, 4, a projecção para 2016 é de 164,6, quase 35% acima dos dados de 2001. Mas a meta que está estipulada no documento em discussão pública é atingir os 141,9 nesse ano. Para isso, tem de haver um esforço das várias regiões para desenvolver estratégias de combate. Algarve e Lisboa sobretudo, já que podem chegar aos 215 e 150 anos de vida perdidos com a projecção baseada nos dados de 2009.
Jorge Espírito Santo, presidente do colégio de oncologia da Ordem dos Médicos, justifica este potencial aumento com o facto de “o cancro do pulmão não ser rastreável. Mesmo os tratamentos são pouco eficazes e a mortalidade é elevada”, explica. A única solução é investir na luta contra o tabagismo e prevenção e o plano nacional de saúde terá de assumir isso para conseguir atingir as metas propostas: mais campanhas de prevenção, rigor na legislação e fiscalização mais apertada da mesma”. Hoje sabemos que “os fumadores chegam a viver menos dez anos”.
O Plano Nacional de Saúde (PNS) já tem os indicadores e metas definidas para 2016, embora em discussão pública até Setembro. Um dos grupos, que se mantém do anterior plano que já terminou, é o que analisa o estado e o desempenho do sistema de saúde.
O outro, que envolve os AVPP, analisa os ganhos em saúde, seja na redução de mortes prematuras ou internamentos. O documento mostra onze áreas em que Portugal estava pior do que a média dos cinco melhores países da UE em 2007 e, mesmo prevendo metas e melhorias, em oito casos, o País vai continuar acima da Europa. Além do cancro do pulmão, é o caso do VIH/sida, doença crónica do fígado, tumor do cólon, recto e ânus mama e colo do útero, pneumonia e problemas no período perinatal (fetos com mais de 28 semanas e nados vivos com menos de sete dias). Nos acidentes, AVC e diabetes isso já não se verifica.
Nos restantes cancros incluídos na lista, o caso da mama ou do colo do útero são bons exemplos, já que as estratégias que têm sido definidas já traduzem ganhos em 2016. Na mama, a taxa era de 159,7 em 2000, prevendo se uma redução para 134,7 em 2016. Caso as regiões cumpram as metas, haverá menos um quinto de anos por morte precoce no mesmo ano. No colo do útero, que já deve passar de 40,3 para 29,8, a descida com estratégias locais e nacionais poderá elevar-se, para se fixar em 20,7 por cem mil.
“O rastreio nota-se muito na redução da morte precoce e possibilita tratamentos. Mas em casos como o do cancro do cólon e recto está muito atrasado e mesmo nos restantes não está generalizado. Por isso temos valores que estão longe dos europeus”. Já as taxas de mortalidade “têm sempre de descer ou é sinal de que haveria negligência nesta área”. (ver caixa)

Plano fechado até ao fim do ano

O Plano Nacional de Saúde (PNS), um documento estratégico e central para o sistema de saúde português, está neste momento sob a alçada da Direcção-Geral da Saúde, que pretende tê-lo preparado até ao final do ano. O Bloco de Esquerda quer agora abrir a sua discussão ao Parlamento contando, levar a votos uma resolução que possibilite o debate.
João Semedo, deputado do BE, refere que este documento “tem sido secundarizado, quando define o que deve mobilizar o país, objectivos para a saúde e instrumentos para a monitorizar. O PNS deve ser discutido no Parlamento e aberto a toda a sociedade”, uma ideia que não desagrada à tutela mas que depende dos votos dos deputados
O documento que norteia a estratégia do sector já devia estar em vigor desde o início do ano, já que a sua vigência é entre 2011 e 2016.
Mas houve sucessivos atrasos, um deles associado à extinção do Alto Comissariado da Saúde, que o desenhava e monitorizava.
José Robalo, director-geral da Saúde e coordenador do grupo de trabalho dedicado ao plano, admite que “até ao final do ano esteja pronto. Estamos a apreciá-lo e a dotá-lo de coerência”. Apesar de haver continuidade em relação ao anterior, “vamos melhorar a equidade e o acesso à saúde apostando na prevenção e dando prioridades às áreas que mais podem beneficiar com intervenção”.

Fonte:
DN
DIANA MENDES

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